Vaporizador ou comestível: por que a mesma cannabis produz efeitos tão diferentes?
Pode parecer estranho, mas a mesma flor de cannabis pode provocar experiências completamente diferentes dependendo da forma de consumo.
Quando a cannabis é vaporizada, o THC é absorvido pelos pulmões e alcança rapidamente a corrente sanguínea. Em poucos minutos, ele chega ao cérebro, produzindo um efeito quase imediato, que costuma atingir o pico em cerca de 30 minutos e durar de 2 a 4 horas. Como não há combustão, o vaporizador também reduz a exposição ao alcatrão e a outras substâncias tóxicas presentes na fumaça.
Já nos comestíveis, o caminho é bem mais longo. O THC precisa passar pelo sistema digestivo e pelo fígado antes de entrar na circulação. Nesse processo, parte dele é transformado em 11-hidroxi-THC, um metabólito que atravessa o cérebro com mais facilidade e costuma gerar um efeito mais intenso, corporal e prolongado. O início pode demorar de 30 minutos a 2 horas, mas os efeitos frequentemente persistem por 6 a 12 horas.
Essa diferença explica por que muitas pessoas descrevem a vaporização como uma experiência mais "controlável", enquanto os comestíveis exigem mais paciência e cuidado com a dose. Como o efeito demora para aparecer, é comum que usuários inexperientes consumam uma segunda dose antes da primeira fazer efeito, aumentando o risco de uma experiência desagradável.
Por isso, especialistas recomendam a estratégia de "começar com uma dose baixa e aumentar gradualmente", ajustando o tratamento às necessidades individuais e observando atentamente os efeitos desejados e os possíveis efeitos adversos.
Referência
Lucas CJ, Galettis P, Schneider J. The pharmacokinetics and the pharmacodynamics of cannabinoids. British Journal of Clinical Pharmacology. 2018;84(11):2477–2482.
Artigo original: https://bpspubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/bcp.13710Vaporizador ou comestível: por que a mesma cannabis produz efeitos tão diferentes?
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