À primeira vista, um baseado e um Dynavap podem parecer muito parecidos. Ambos utilizam a flor de cannabis e produzem efeitos em poucos minutos. A diferença está na forma como o calor age sobre a planta.
No baseado, a cannabis entra em combustão, atingindo temperaturas superiores a 600 °C. Além do THC e dos terpenos, a fumaça contém centenas de compostos formados pela queima da matéria vegetal, incluindo alcatrão e outras substâncias potencialmente tóxicas. Parte dos canabinoides também é destruída pelo calor excessivo ou perdida na fumaça que continua sendo liberada entre as tragadas.
O Dynavap funciona de outra maneira. Em vez de queimar a flor, ele a aquece até aproximadamente 180–230 °C, temperatura suficiente para vaporizar os canabinoides e os terpenos sem provocar combustão. Como resultado, o usuário inala principalmente vapor, reduzindo significativamente a exposição aos produtos tóxicos da fumaça.
Curiosamente, estudos mostram que a absorção de THC pelo organismo é muito semelhante entre a vaporização e o fumo. A principal vantagem do vaporizador não é produzir um efeito mais forte, mas sim oferecer uma forma mais eficiente e limpa de administrar os canabinoides. Além disso, como há menor perda de THC pela combustão, muitos usuários relatam que conseguem obter o mesmo efeito utilizando menos flor ao longo do tempo.
Na prática, o baseado costuma durar mais porque é consumido lentamente e pode ser apagado e aceso várias vezes. Já o Dynavap extrai a maior parte dos canabinoides em poucos ciclos de aquecimento, dando a impressão de que a erva "acaba" mais rápido. No entanto, isso ocorre porque a extração é mais rápida, e não necessariamente porque há maior consumo de cannabis.
Referência
Lucas CJ, Galettis P, Schneider J. The pharmacokinetics and the pharmacodynamics of cannabinoids. British Journal of Clinical Pharmacology. 2018;84(11):2477–2492.
Artigo original: https://bpspubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/bcp.13710
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